Curitiba, .         



 

 

 


CPI do Banestado

ENTREVISTA: DEPUTADO PEDRO IVO
Alice Duarte

Com a histórica quebra de sigilo bancário da contas nos Estados Unidos, a CPI do Banestado está muito próxima de desmantelar o esquema de lavagem de dinheiro da quadrilha nas agências de Foz do Iguaçu e do Banco Del Paraná (um braço do Banestado no Paraguai), em Ciudad Del Este. Com o atentado de 11 de setembro no World Trade Center o governo norte americano flexibilizou a legislação para a quebra de sigilo bancário devido às suspeitas de remessas provenientes do terrorismo.

Membros da CPI durante sessão no Plenarinho

Em 1998 o procurador da República Celso Três iniciou as investigações, pedindo quebra de sigilo bancário das contas CC-5 no Banestado de Foz. As contas CC-5 são utilizadas para a transferência de dinheiro para uma conta bancária no exterior, sem muita burocracia. O inquérito está apurando as movimentações financeiras de 1996 a 1999. Até agora foi identificado US$ 30 bilhões desviados. O montante enviado para fora do país por meio das contas CC-5 pode chegar a US$ 124 bilhões, afirma o delegado da polícia federal, José Franco Castilho Neto.

Os procuradores federais, com o apoio da Polícia Federal, do Banco Central e da Receita estão na investigação para identificar a origem e o destino dos recursos enviados à agência Banestado em Nova Iorque e para obter provas válidas dos crimes, afim de condenar os responsáveis pelos delitos de formação de quadrilha, evasão de divisas, falsidade documental, sonegação e gestão fraudulenta. O deputado Pedro Ivo quer dedicar boa parte de seu mandato para acompanhar de perto o rumo das investigações.

Você sugeriu que um membro da Comissão acompanhasse de perto as investigações da Polícia Federal. Você está disposto a assumir este papel?
Pedro Ivo: Sim. É essencial ligar a CPI do legislativo à força tarefa e à CPI federal. Esse meio de campo é fundamental para reunir os esforços e agilizar as apurações. Eu pretendo desprender um tempo exclusivo para tratar desta questão, pois esta é a CPI das CPIs, porque envolve muita gente. A quebra de sigilo bancário nos EUA foi inédita na história do país e isso não teria acontecido sem os atentados do 11 de setembro. Os americanos flexibilizaram a legislação para investigar as remessas de dinheiro provenientes do terrorismo. Então a força tarefa foi atrás do destino final do dinheiro sujo, que foi parar em Nova Iorque, e não na fonte, como era de costume nesse tipo de investigação.

Há comprovação do envolvimento de membros do governo federal?
Pedro Ivo: Não tem confirmação. O que se sabe é que empresas receberam até um milhão de reais por dia com exportações suspeitas. Uma empresa daqui vende um determinado produto para outra empresa do exterior que paga um preço elevado por este produto, porque também se beneficia do esquema de corrupção. Então este dinheiro volta legalizado, lavado.

Você acredita que possa haver punição mais severa para os crimes de lavagem de dinheiro no país?
Pedro Ivo: Eu acho que a CPI vai abalar com as estrutura do crime organizado no país. As denúncias são muito graves, pois foi descoberto o corredor do dinheiro sujo. Só se não houver vontade política isso não vai se resolver. As investigações estão como laranjas maduras prontas para serem colhidas, porque eles deixaram o rastro. Há várias horas de fitas de doleiros citando nomes de envolvidos. Recados no final de cartas dizendo para queimá-las depois de lerem. Vou me debruçar sobre as denúncias e achar um perito para investigar os documentos. Vou despender um tempo grande do meu mandato para isso. Durante a campanha, recebi uma denúncia sobre uma empresa que tinha comprado uma floresta do Paraná a preço de banana. Uma empresa do município de Inácio Martins entregou uma floresta ao Bando do Estado do Paraná como forma de pagamento de dívidas. O banco pegou a floresta e, em vez de realizar um leilão público para vendê-la, passou para uma empresa mista do governo e esta revendeu a área por R$ 3,2 milhões, que correspondia a um milhão e 270 mil metros cúbicos de pinus. A floresta estava avaliada em 60 milhões. Aí eu falei com o procurador geral do Estado e com o governador. Eu enviei esta denúncia ao Ministério Público. A empresa ficou sabendo e procurou o governo para devolver R$ 18 milhões, pois admitiu que comprou barato demais. Nós vamos investigar o proprietário da Ambiental Paraná, Eugenio Stefanello, e o diretor da Madeirita, que venderam a floresta. Vamos chamar todos os responsáveis para depor na CPI no Banestado, incluindo a empresa que comprou a área.

O que está sendo feito para identificar os "laranjas" e chegar às peças-chave do esquema?
Pedro Ivo:
Serão chamadas as empresas suspeitas para depor, à medida que prossiga a investigação. Eu recebi uma relação de nomes de pessoas que teriam contas em Nova Iorque. Quem me entregou esta relação não queria se identificar. Como não sei se esta denúncia procede, não posso divulgar os nomes. Agora vou pessoalmente protocolar a denúncia e entregar a lista ao Ministério Público.

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